quarta-feira, dezembro 26, 2007

Paulo Estalagem POEJO

Estamos no Natal, pois então. Época de bacalhaus, polvos, leitões e perús.. mas nao vou falar de nenhum guarda redes :)
Mas Natal faz lembrar .. SPOOOOOOOORTING!!

Por isso, por que não falar de um belo perú sportinguista?

Um senhor jogador do meio campo português, mais um da "cantera" leonina. Da cantera que dá grandes jogadores, mas também grandes decepções.
Paulo Estalagem Poejo foi de facto uma promessa. Mas não passou disso...
Em 1992 fazia parte do plantel sénior do Sporténg e prometia muito. Estranho deste ano terem saído jogadores como Andrade, Porfírio, Paulo Morais.. todos jogadores de nome conhecido, mas que nao passaram de carreiras médias.
Poejo.. poejo vem de que origem semântica?

Da família Lamiaceae, é uma perene cespitosa de raízes rizomatosas que cresce bem em sítios húmidos ou junto de cursos fluviais, onde pode ser encontrada selvagem entre gramíneas e outras plantas.
Os seus erectos talos quadrangulares, muito ramificados, podem chegar a medir entre 30 a 40 cm. As folhas são lanceoladas e ligeiramente dentadas, de cor entre os verdes médio e escuro. Dispõem-se opostamente ao longo dos talos. As diminutas flores rosadas nascem agrupadas em densas inflorescências globosas.

O poejo atua como digestivo, expectorante e antiespasmódico.

"Pois, grande Poejo"... dirá o sr . blogóespectador. Tal como disse Mário Wilson, Carlos Manuel, Vitor Manuel, Fernando Santos e o grande Zé Couceiro.
Engraçado é que Poejo passou os últimos anos da carreira a fechar clubes. Primeiro jogou no Campomaiorense. Mas este clube do Sr. Nabeiro fechou portas.

De seguida pensou: " Ò, e se eu fosse para um clube estável e que promete lutar por um lugar nas grandes equipas portuguesas?" E de facto rumou do Futebol Clube .. de Alverca.

Alverca foi o último clube pelo qual passou, fechando aí o clube e também a carreira..

Será que Poejo desestabiliza completamente os clube por onde passa? Fica a dúvida..

Actualmente é sócio de uma empresa de reparações mecânicas!! Um excelente destino, uma vez que Poejo parecia especialista em quebrar motores de equipa, desalinhar direcções de passe e acelerar a fundo rumo ao banco.
Para o fim a frase mais usado pelos treinadores acima citados..

"Poejo Poejo... quando é que te vejo?"

sexta-feira, dezembro 14, 2007

I Will Survive

Longe da vista, longe do coração.

Ou talvez não. Há personagens que nos servem a sopa que aquece a barriguinha e o peito, mesmo quando não dispõem de colher para o efeito.
Ricardo
, o keeper, é uma delas. Quando procurou o exílio para terras de Cervantes e Míner, milhões de almas suspiraram por nada poderem fazer para o impedir.

Afinal, tinhamos acabado de perder o nosso sorriso colectivo enquanto Nação.

Quem ligaria agora para a Sport TV a queixar-se de críticas injustas em directo?
O Stepanov? Nem fala português!
O Bergessio? Para isso era preciso que a caixa de cartão onde vive à porta do estádio tivesse uma tomada para a TV.

Quem faria agora um desenho de uma pata de doberman no cabelo, alegando que "tal como eu, o doberman é um animal muito injustiçado"?
O Gladstone? Não tem cabelo suficiente!
O Binya? Está proibido de entrar em estabelecimentos públicos.

O ponto de situação era negro. As saídas a cruzamentos já não nos criavam uma dose de expectativa similar ao lançamento de mais um álbum de Jon Secada. Era tudo uma pasmaceira.

Aquela familiar voz de cana rachada já não ecoava doucement nos martirizados canais auditivos da populaça. A formação de barreira na marcação de um livre tornou-se numa formalidade tão banal quanto uma tentativa de finalização frustrada(íssima) por parte de Renivaldo Pereira de Jesus.

Oh alegria, porque nos abandonaste? Quais orfãos vagueando descalços pela negra estrada de uma qualquer noite, sentiamos a dor que Santa Clara sentiu quando Klevis Dalipi, Youssef Nader e Sadjó Baldé abandonaram os Açores. Profunda e perfurante.

Mas eis que recebemos uma injecção anestésica, uma infusão de alívio instantâneo por via do lisboeta pasquim "Record", a qual passo a transcrever:

"Ricardo, guarda-redes do Betis, revelou que aguentou os últimos minutos da partida com o Villarreal apesar de lesionado, ao lembrar-se da versão espanhola do tema de Gloria Gaynor "I will Survive", que durante toda a semana de preparação serviu de inspiração para a equipa. "Recordei-me da canção e decidi aguentar para ajudar a equipa", contou o internacional português que têm queixas num adutor(...)"

OK. Giro. Podemos abordar isto de várias formas.

É certo e sabido que o supracitado tema é um Hino gay. Vamos gozar o Ricardinho por causa disso? Claro que não, coitado. Seria fácil demais.
De igual forma demasiado fácil seria imaginar o homem a cantar aquilo com o vozeirão efeminado que todos conhecemos. Mas iriamos entrar outra vez no domínio da bicheza, e não queremos isso, certo?

Pois...vamos então simplesmente classificar o gosto musical do guardião de "extremamente parolo" e deixar o restante gozo e achincalhamento ao critério do freguês.

Porque o que é fácil demais não oferece desafio algum.

domingo, dezembro 02, 2007

Kwame, o Globetrotter

Velocidade, destreza e um penteado porreiro. Assim se pode resumir a carreira de Kwame Ayew de uma penada apenas.

Ainda há questões interessantes como o facto de ter jogado em três continentes e doze clubes diferentes, mas a piada aqui está mesmo no seu potencial cromífluo. Ah, e no facto de alguns media lhe chamarem "Kwame Ayew", enquanto outros preferiam "Ayew Kwame", o que nos leva a pensar o que seria da 1ª Liga com um Brandão Marlon, Pinto Vieira João ou Hadrioui El. Pelo menos o Missé-Missé e o júnior portista André André (filho do ex-carregador de piano António André) passam totalmente incólumes ao lado desta polémica.

Kwame começou a carreira ao mais alto nível (?) no Africa Sports, colosso costa-marfinense de onde Rashidi Yekini partiu para o Sado. Cedo deu nas vistas pela sua inegável qualidade e potencial, e rumou para França, caíndo no FC Metz. Ou foi isso, ou uma cunha metida pelo irmão Abedi Pelé, um dos melhores jogadores Africanos de sempre, que curiosamente jogava em França na altura. Ele há coincidências...

Arrivado a Metz sob uma névoa sebastiânica de proporções kwamescas, Ayew confirmou as imensas expectativas de ineptude que rodeavam a sua chegada e foi expatriado com relativa velocidade para a Arábia Saudita. Lá se foi o sonho de partilhar um T4 com o irmão e um grupo de dançarinas eslovacas.

Ao fim e ao cabo, a sua estadia no Al Ahli foi importante para ganhar experiência futeboleira, sendo que o nosso amigo viveu aos 19 anos uma situação que os restantes jogadores só costumam viver aos 38. Precisamente: jogar no Al Ahli. Ora, o velocíssimo jovem Kwame actuando numa Liga onde a média de idades deverá rondar os 63 anos só significa uma coisa: croquetes! Ups. Peço desculpa. Estou com fome. Na verdade, a palavra que queria utilizar era "perigo". Com Ayew em campo, defrontar o Al Ahli significa para os adversários o mesmo que comer no restaurante do Barbas. Medo. Muito medo.

Vinte e dois jogos e catorze golos depois, o africano regressa a um grande País de futebol: a Itália de Emanuele Pesaresi. No Leça (perdão, Lecce) Ayew viveu um momento completamente Luiscampesco - em duas épocas acompanhou a sua equipa da Série A até à Série C. Não terá sido concerteza pelas suas exibições, nem pelo seu penteado a imitar o Yannick Noah, pois o ganês somou o excelente pecúlio de sete golitos em quase quarenta jogos.

Tal demonstração de força e virtuosidade só poderia levar Kwame Ayew a um local: Leiria, obviamente. Onde...desceu de divisão, pois claro. Começamos a detectar um padrão na carreira do homem. Mas ainda assim, o felino ganês chamou a atenção de um emblema onde pontificavam Deuses como Matias ou o guardião Sansone, o Vitória de Setúbal. Perante uma doce oportunidade de imitar o trajecto de Rashidi Yekini do Africa Sports para o Sado (se bem que com 32 clubes pelo meio), o célere avançado nem hesitou.

Em apenas uma época em Setúbal (96/97) fez tantos estragos quanto o Manuel Subtil numa casa de banho da RTP. E com muito mais estilo do que este. Pelo menos, em vez da barba sebosa e aspecto de primata, Kwame passeava orgulhosamente uma frondosa cabeleira pós-modernista, que lhe granjeou fama de Teddy Boy por essa Arábia Saudita fora.

Como é seu timbre, o homem não conseguiu ficar parado muito tempo, e passado uma época subiu mais um degrau na carreira. Desta feita para um certo clube, cujos maillots fazem lembrar toalhas de mesa de restaurantes italianos. Na fase pré-campeão, o Boavista construia uma equipa altamente ambiciosa, que precisava de um artilheiro à altura. Encontrou-o no nosso ganês preferido (depois de Nii Lamptey, claro). Já havia Alfredo na baliza, William Quevedo na defesa, Conthé no meio-campo e Wouden, Martelinho e Jacaré no ataque. Com Ayew, o Boavista alcançou um bonzinho 6º lugar, ao que se seguiu um histórico vice-campeonato na época seguinte, com o irmão de Abedi Pelé em grande plano. Um pecúlio de 15 golos a responder a cruzamentos de Martelinho que lhe valeram o passo maior da sua carreira.

Alvalade. Em plena hegemonia do FC Porto Pentacampeão de Jardel e Alejandro Diaz, arrivou em Lisboa com o intuito de ser o melhor marcador do campeonato e devolver a glória perdida ao clube de De Franceschi. OK, foi uma aposta extremamente optimista dos dirigentes leoninos, mas quem sou eu para questionar? Apenas mais um que nunca achou piada nenhuma ao Badaró. A verdade é que o verde voltou mesmo a ser cor de vitória, passados 18 anos de seca. O mérito? Completamente direccionado para o colo de Ayew Kwame.

O problema é que a glória também tem o seu peso. Não estando habituando a jogar com a pressão inerente à defesa de um título, o ganês decidiu que iria continuar a infernizar a vida de Mário Jardel. Este saira do Dragão para a Turquia, logo, Ayew decidiu que seria uma excelente career move. Porque não confiar na capacidade de julgamento de Jardigol, esse jovem tão ponderado?

Talvez porque o ponta-de-lança brasileiro tem discernimento idêntico ao Soares Franco após jantar (Queiróz dixit). De qualquer forma, o nosso ladino amigo ficou a saber disso inequivocamente. Após dois anos na Turquia molhando a sopa ao serviço de Yozgatspor e Kocaelispor, respectivamente, concretizou um sonho de infância: jogar na China. Primeiro no Changsha Ginde, depois no Inter de Xangai, onde foi o melhor marcador da prova. Toma lá, Jardel. In your face, bitch.

Porém, no final da sua aventura asiática, já calvo e com consciência que a sua carreira estaria mais putrefacta que a dentição de Almerindo Marques, o agora veterano globetrotter tomou a decisão certa.

Em 2006/07, tentou (mais) um "yekini" e regressou à casa que o viu nascer. OK, admito que Ayew não terá nascido em Setúbal, mas o gato dele sim. O pequenito Tinkler, sempre travesso nas suas brincadeirinhas com novelos de lâ. Porque se chamará assim, não sei. O regresso, por sinal, até foi engraçado. Marcou uns golitos e tal, incluíndo uma ignóbil traição ao seu ex-patrão de xadrez (num apimentado frango do porteiro de discotec...guarda-redes William) e uma facada nas costas da União de Leiria, outra ex-entidade patronal. Ingratidão pura.

Não há por aí alguém que lhe vá gritar qualquer coisa do estilo "não cuspas no prato onde comeste"? Suponho que não. Isso seria perfeitamente estúpido.

domingo, novembro 25, 2007

Lionel Abide Messi Georges Parfait

Dribles fenomenais, jogadas de puro génio. Penadas de bom futebol no papiro dos predestinados. Glória esvoaçante nas asas de um condor. Insigne fogo que nos queima a alma, abrasivo e sempre altivo na sua demonstração de omnipotência. Um poema circular, esférico até. Um opíparo repasto na mesa dos Imortais, sentado à cabeceira da mesa, com vista para o Olimpo.

Assim é o futebol de Messi, que cai nas amarras tácticas do presente como um boné no depauperado crâneo do deputado Diogo Feio.

Ah, mas não é este. É o tipo do Barça. Alguém enganou os dirigentes do Olhanense.

-"Eh pá, temos aqui um empresário a oferecer o Messi e só quer um calendário da Pirelli, um LP da Céline Dion ao vivo em Gdansk e um VHS dos Gladiadores Americanos em troca!"

-"Porreiro, pá! E eu que até tenho uns episódios de '96 gravados! Esta saiu mesmo bem."

sábado, novembro 10, 2007

CALILA, ATÉ FAZ FILA


Carlos Alberto Lopes Cabral, não é de facto um nome de jogador da bola.. Não é um Ronaldo, um Baía, um Jardel, um Gomes, um Makukula.. será por isso que Carlos Alberto Lopes Cabral não vingou no futebol. Homem nascido em terras próximas do Douro, embarcou cedo para o Sul do país. Desde Lamego até Torres Vedras foi um tirinho.. Calila jogou ao lado de grandes vedetas torrejanas. Falo de Rosário pro exemplo, quem não se lembra deste jogador, loiro, de cabelo compido, rápido.. esse Rosário hoje estaria num grande! Mas voltando a pôr a agulha no disco certo, Carlos Alberto Cabral queria ir mais longe e ingressou no Belenenses. Aí sim, um clube quase grande de Portugal. A partir da saída do Belenenses foi sempre a descer. No clube da Cruz de Cristo ainda marcou 5 golos em 21 jogos, boa média de Carlos Alberto Lopes Cabral. Mas este avançado parecia andar lento em campo, parecia andar a dormir! E de facto estava, esta foto é tirada na época de 96-97 em Belém. Carlos Alberto Lopes CAbral, acorda p'a vida!! E de facto acordou.. passou do clube azul para o clube do saco azul.! Assim chegou a Felgueiras, mas a sua sorte mandou-o de volta, tal como o carteiro Postiga, para o sul. Quis o destino que fosse o Imorta, para talvez quiçá, imortalizar o seu nome em terras algarvias. No entanto, Carlos Alberto Lopes Cabral fez jus ao seu nome de emigrante e foi , como bom português, jogar para a Alemanha, no Bad Bleiberg! Voltando ao nosso Portugal após uma época em terras de Hitler, tentou o Sporting.. mas estava cheio, e Carlos Alberto Lopes Cabral, ficou ali ao lado, em Alcochete. Assim sim, à dimensão certa do seu futebol. A partir daí, Pinhalnovense, Mirense, Cernache, Lus Evora, Fazendense.. enfim.. todos os "enses" do Vale do Tejo!! Carlos Alberto Lopes Cabral gosta de variar como nós todos de boxers.. e como a Elsa Raposo de homem.. SEMPRE! Em 2004 foi a vez de tentar ficar ligado à história do Benfica! Sim, Benfica! o Futebol Benfica.. se calhar o verdadeiro clube que joga Futebol à Benfica. Por último , mais um ano ,mais uma viagem.. Nesta autêntica fila de clubes, o extremo CALILA queda no Seixal ... mas até quando? Até quando CALILA quiser. Calila sabe muito, conhece muito, viaja muito. Calila não anda a dormir!!

quinta-feira, novembro 08, 2007

Gilles Binya, o Irascível do Mfoundi

Em mais um exclusivo "Cromos da Bola", oferecemo-vos um pequeno doce. Um palmier forrado a chocolate quente. Um remate almiscarado na gaveta dos bolinhos. Um açucarado passe de crosta caramelizada à trivela.

Gilles Binya, o bom rapaz, aceitou dar uma entrevista a este blog. Um Senhor: gentil e correcto na abordagem aos lances, tanto dentro como fora do verde tapete.

Ora aí vamos:

"Cromos da Bola - Salvé, orgulho de Yaoundé. Bem Haja pela entrevista concedida.

Gilles Binya - Ora essa, não tinha nada de jeito para fazer. Era isso ou arrancar mais um dedo àquele gajo ali ao fundo, mas já estou meio maçadito. Foi um longo dia de trabalho.

CdB - Mais uma razão para lhe agradecer. Iniciemos então esta entrevista. Foi difícil a sua adaptação a Portugal e ao Benfica?

GB - São realidades completamente diferentes do que estava habituado. No ínicio ninguém me conhecia, foi complicado. Um exemplo: Como ninguém sabia quem era, deram-me um pequeno cartão vermelho magnético para poder entrar no parque de estacionamento do centro de treinos. Infelizemente parti-o. Foi o único cartão vermelho que consegui ver até agora em solo luso. E estraguei tudo.

CdB - Vicissitudes da vida. Por falar nisso, foi necessária uma grande mudança de hábitos de sua parte?

GB - Não, apesar de tudo consegui adaptar-me relativamente bem. Gosto muito de rissóis de camarão, portanto só tenho comido isso e carne humana. Outro dia trocaram-me o pedido num café e deram-me um rissol de carne. Ridículo. Claro que parti o perónio ao moço. Curiosamente não vi cartão.

CdB - Compreensível. Trouxe música étnica do seu País natal?

GB - Não ouço disso. Ouvia até aos 12 anos, mas depois parti para outra. Agora, desde que tenha a minha K7 pirata com os maiores hits de verão do MC Hammer, está tudo bem. É um LP bestial. Aquele gajo partia tudo.

CdB - Noto um verbo recorrente no seu discurso...

GB - Deve ser "encerar". Só pode ser "encerar". Adoro encerar o chão da minha casa. Até tenho uma história curiosa relativa a isso: uma vez, a minha mulher-a-dias encerou o chão, esquecendo-se que faço questão de fazer isso sozinho. Parti do princípio que ignorou as minhas directrizes como ofensa pessoal, e parti-lhe a rótula, claro. Não vi cartão, curiosamente.

CdB - Pois. O verbo era "encerar", claro. Passemos à bola propriamente dita. A adaptação a um futebol diferente foi simples?

GB - Dado que o meu jogo não é mais que fazer lançamentos laterais para as couves e distribuir porrada enquanto o Armando não volta à equipa, foi fácil, sim. Até fiz um penteado à Beto Galdino para os adeptos não sentirem saudades e fazerem uma associação rápida do brasileiro nórdico ao jogador novo dos Camarões. Foi uma tentativa de partir gelo. Acho que resultou.

CdB - Longe de mim discordar. Os treinos têm corrido bem?

GB - Tem visto o Mantorras ultimamente?

CdB - Agora que menciona...não, realmente não.

GB - Agora já sabe como têm corrido os treinos. Rasgadinhos.

CdB - Gilles Binya, estou a ficar com medo. Obrigado pela oportunidade.

GB - Ora essa. Volte sempre. E traga as suas canelas desprotegidas, se possível. Ainda ontem escanei um piton nas caneleiras de um gajo. Isso não se faz a ninguém."

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Esta entrevista é fictícia. A realidade seria muito mais violenta.

domingo, novembro 04, 2007

Popeye from Lodz

Vítor Baía é um nome incontornável do futebol Mundial. Histórico recordista de títulos a nível internacional, este guardião marcou uma época na lusitana bola pelos seus reflexos apuradíssimos, saídas destemidas, destreza nas bolas altas ou capacidade de liderança. A todos os níveis, um símbolo.

E para além de tudo isso, deu ao Mundo Cromático uma benesse que tivemos a oportunidade de degustar como uma bavaroise de framboesa confeccionada pelo bigode do Manuel Luís Goucha em 1992: ao abandonar a Cidade Invicta em busca de glória adicional na Catalunha, Baía não se transformou apenas em portero, pois foi também porteiro - abriu as portas a um exército de sucessores, cada um pior que o anterior.

Nascia o "Fantasma de Baía". E não, não era uma aparição pública do gaiense depois de três semanas sem ir ao solário, foi a designação escolhida pelos sempre criativos e acutilantes escribas para definir a sombra gigante do agora culé, que deixava as atormentadas vidas dos seus sucessores sem ponta de sol.

Eles eram Eriksson, Wozniak e Hilário. Um monstro de três cabeças. Um "Cérbero", cuja missão era manter a inviolabilidade das redes azuis. Não é bem o mesmo que guardar o portal do Mundo dos Mortos, mas deixemos o glamour para os tecnicistas Quinzinho, Chippo e Lipcsei. Aqui a missão é desprovida de glória. Chamem-lhes mártires modernos do sofrimento contemporâneo. Peões num jogo de xadrez disputado por dois traficantes de órgãos coreanos. Tigres de papel numa selva urbana. Ou então, nas sábias palavras do saudoso Tarzan Taborda (o Gabriel Alves da porrada) : "carne para canhão".

O mais sui generis dos três era Andrzej Wozniak. Provavelmente por parecer um cruzamento entre o Popeye e um contabilista. Portador de um look muito em voga entre cepos das balizas nos anos 90 (falamos de Best e Baston), o Popeye Polaco brandia orgulhosamente um charmoso piccolo bigodinho, que fazia pendant com a sempre respeitosa careca, símbolo de confiabilidade e eficácia, qual reluzente bola de bilhar rebolando feliz pelo buraquinho adentro.

Wozniak teve também o condão de esperar pelos grandes momentos. Apesar de ser uma desilusão entre os postes, onde não revelava nenhuma qualidade discernível ao olho humano para além de fazer rir o mais sisudo dos adeptos do desporto-Rei, Mijter Oliveira manteve a confiança inicial no Popeye from Lodz, o que só pode ser visto como uma demonstração da sempre sólida solidariedade de bigodes.
Assim sendo, Andrzej foi um espectador privilegiado de duas das mais badaladas partidas da História recente do futebol Português: do seu cantinho, algures entre o poste direito e o esquerdo, o polaco presenciou as vitórias do FC Porto por 2-3 em Milão (onde ainda quase que conseguiu lixar o brilhante jogo dos colegas com dois golos sofridos), e de 0-5 na Luz (jogo mítico - não pelo Porto espetar 5 batatas no rival, mas porque Popeye from Lodz não sofreu nenhum tento).


Pouco depois destas duas brilhantes deslocações, o polaco foi afastado para abrir caminho a outro senhor. Provavelmente não terá nada a ver com as suas pomposas performances, mas sobretudo porque ver e ouvir a mesma piada muitas vezes seguidas cansa qualquer um, e era de facto necessário ir buscar um refresco. Outro tipo para nos dar alegrias cromáticas.


Para a memória fica esta respeitosa carequinha e a certeza que Popeye from Lodz iria dar 122% em cada uma das suas acções no palco maior do teatro da bola - como a foto ilustra.
Aquele ar de esforço não é normal. É que pela posição do pé, vai sair dali um passezinho de treta para um qualquer Buturovic a 40cm de distância.
Ou isso, ou o gajo está a mandar um bico numa bola medicinal e nós andamos todos a precisar de ir ao oftalmologista do Ivica Kralj.

P.S.: Futebol Clube DE Porto? Mas será que foi o próprio Popeye que escreveu no cromo?

domingo, outubro 28, 2007

Presença Cromática na Área


Com a votação concluída, chega ao 11 Cromos da Bola, SAD um reforço inestimável. Alves Nilo Fortes, que Vinha directamente da caixa 5, Sector 2 da Exponor para nos dar alegria. Alegria e uma presença na área. Um ariete que alegremente dirá "sim" aos cruzamentos caramelizados de
Martelinho e Formoso...desde que esteja na bancada para os receber, claro.

Alves Nilo derrotou copiosamente o carteiro sem GPS, Martin Pringle, e o repetitivo Missé-Missé, que se quedaram por rídiculos 2º e 3º postos, respectivamente.


De destacar ainda a luta que o panzer protégé de Sir Bobby, Quinzinho, deu a Jean-Jacques pelo desonroso e degradante 3º posto, bem como a ridícula prestação de quatro colossos da ineficácia e falta de jeito como Ronald Baroni, Bambo - o Rambo, Mame Mangane Birame e Hans Vimmo Eskilsson, o vocalista dos Europe.

A fronha que colocámos como background desta poll revelou-se premonitória, apresar de se levantarem vozes de protesto quanto a uma eventual tentativa de influenciar as almas votantes. Blasfémia, digo eu. Para além de morar perto da Exponor, não há nada que me faça preferir o Alves Nilo aos outros colossos. Nem uma eventual possibilidade de bilhete grátis para uma exposição porreira na Exponor (Vinha?Tás aí, pá?).

De futuro, iremos debruçar-nos sobre a eleição do companheiro de Alves Nilo, que Vinha para ser o ratinho de área, e sobre a substituição do guarda-redes Zé Miguel e defesa-direito Broas, devido ao facto das respectivas eleições terem sido alcançadas durante os passinhos de bebé deste blog, em que cada votação teria à volta de 30 elementos votantes. Depois daremos atenção ao incompleto banquillo, tal como ao patrocínio a escolher para o nosso impecável equipamento Lacatoni.

Um Ferbar fresquinho para todos vós. E bem-vinha, Vindo. Ah...bem-vindo, Vinha.

terça-feira, outubro 23, 2007

SIM SIM, ASSIM LIM

Nildo, Tarcísio, Possi, Carlos Coelho, Nené Santarém, Formoso, Tuck, Wilson, Lemos, Lila, Margarido e Vital.. estes nomes assim.. o que fazem lembrar? ..... tempo para responder... não me diga que não sabe mais do que um miúdo de 10 anoooooooooos?!!?

Claro, são os colegas de LIM no Gil Vicente, época 96-97. Época fatídica, já lá vão 11 anos! O Gil desceu, mesmo com estes brilhantes jogadores.
Eu se fosse relatador nessa época, na Rádio Galo de Barcelos, não parava de rir!

Vejam só: Vital, passa para Lila, Lila acelera no seu flanco, flecte para Tuck.. a bola sossega no médio, passa para Formoso, este de 1ª para Carlos Coelho, que desmarca Nené Santarém. Nené Santarém rodopia sobre um adversário e passa a Possi. Bem passada a Possi! Possi pode entrar na área, tem Nildo a pedir a bola e remaaaaaaaaaaaaaata! Ao poste.. E na recarga, surge LIM LIM LIM, vai remataaaaaaaaaaar.. e Goooooooooooooolo!!! LIM LIM LIM LIM ... (este som acompanhava com qualidade a música Jingle Bells).

Quem treinava o grande Gil ?? O bigode do Bernardino Pedroto.
O LIM era daqueles pontas de lança mortíferos fora da área.. dentro é que não.
Era a arma secreta que toda a gente via!
Neste ano marcou apenas 3 golos, mas verdade seja dita que jogou apenas 1150 minutos. 6 jogos completos e 18 incompletos!

Lim esteve mais tarde em Espinho. De realçar que em Espinho foi companheiro de mais uma catrefada de nomes sonantes como Quim (o ponta de lança que parece uma torre parada), Petiz (Não Petit!) , Jojó, Micas, Rochinha, Rolão,Paulo Rola, Moisés, Filó, Osório, Magano, Ferraz, Ginho..
Mais uma vez, se eu fosse relatador da Rádio Espinho, passava os Domingos (que não os Paciencia) a rir.
Grande Lim, assim LIM!

LIM - sim, o LIM - passeou ainda pelo Maia, Gondomar, Moreira de Cónegos e Académica.
Um homem do Norte sem dúvida...

Tão do Norte que hoje trabalha numa fábrica em Ipswich Town! LIM, Yessssssssssss!

sábado, outubro 20, 2007

José Gildásio e o seu inteligente diminuitivo

Quando em 1500, Pedro Álvares Cabral avistou "terra chã, com grandes arvoredos ao monte", estaria longe de pensar que nesse preciso momento escancarava os dourados portões da bola lusitana a um magno enxame de futeboleiros brasileiros de qualidade dúbia. Substitução: entra feijão, sai rojão.

Em boa verdade, até se lembrou disso. Dizem que as suas primeiras palavras pós-descoberta foram dirigidas ao grumete Fábiozinho, e demonstravam puro regozijo pelo futuro da sua Académica:

-"Ouve lá, puto!Tira-me esses fones e ouve se não tenho razão...a nossa briosinha é que estava mesmo a precisar de um keeper novo, a ver se levamos um de borla pra lá. Olha aquele aos saltinhos ali, pá. Os gajos até parecem jeitosos. Dá-lhe um colar, que o tipo salta já pró porão. É que aquele Pedro Roma está na baliza desde a semana seguinte à conquista de Lisboa aos Mouros e já anda a ficar velho. Não me cheira que aguente mais uns Séculozitos, pá."

Há quem aponte que a afirmação sobre a longevidade de Roma terá sido algo extemporânea, mas como Álvares Cabral cometeu outro erro ligeiramente maior (tipo confundir o Brasil com a Índia), o pessoal nem se lembra do caso. Ainda bem que existimos para botar o dedo na ferida.

Eis que a foto no canto superior esquerdo do post começa a fazer sentido. O portão estava aberto, cabia ao nosso povo irmão (povo filho não faria mais sentido?) passar para o outro lado. Entre vários dentistas, personal trainers e acariciadores da redondinha, atravessava um rapazolas de olhar esbugalhado e de sonhos bem empacotadinhos na mala. Seu nome era Gildásio. José Gildásio. Sabiamente, decidiu omitir esse facto e adoptar uma espécie de diminuitivo: Gil Baiano. Smart move. E ainda há quem diga que o homem nunca fez nada de jeito. Invejosos.

Chegado a Alvalade para jogar à bola, Gildásio teria que provar ser merecedor das expectativas criadas à sua volta. No Reino da Selva, o Leão não fazia por menos - o título de Rei da Selva, em pertença do Dragão (quem mais?) era o seu primeiro e único objectivo. Para tal, o Big Kahuna Robert "Quem?" Waseige contava com uma pleíade de reforços de qualidade. Nas laterais, Maldini e Cafú eram garantia de classe Mundial. Hm. Não. Esses eram muito caros, portanto os sempre argutos dirigentes leoninos optaram pelo plano B: os clones.

Mal tinha posto os pés no aeroporto da Portela, o croata Balajic já deixara bem claro que o difensore italiano com ele não fazia farinha. Balajic era ravioli, farfalle e fetuccine em simultâneo, bem polvilhado de queijo ralado e regado com um bom verde branco. Talvez demais.

Perante tal demonstração de autoconfiança e consquente fé dos cabecilhas de Alvalade no Maldini dos Balcãs, Gildásio não quis ficar atrás. Auto teceu-se (mais uma expressão nova) loas e prometeu mostrar a sua raça no corredor direito do relvado lisboeta, mas infelizmente nem tudo foram rosas.
O brasileiro
estava num patamar diferente dos seus colegas. Ele fazia, Jean-Jaqcues Missé-Missé desfazia. Ele recuperava o melão, Vidigal e Afonso Martins perdiam a melancia.
José Gildásio
, qual pombo sem asas, deslizava pela lateral de peito feito - heróico - de cabeça levantada, procurando espaços para fuzilar o pobre goleiro adversário, ou infernizar a vida dos zagueiros oponentes com cruzamentos bem medidos. Mas nada parecia resultar. Cruzar para a cabeça de Paulo Alves, Ouattara e Ramirez é o mesmo que ficar à espera que Paulo Bento não vista uma camisa hilariante na próxima conferência de imprensa: perfeitamente escusado.

Imaginam Miguel Ângelo a pintar o tecto da Capela Sistina, para no dia seguinte vir uma equipa de gajos para pintar "aquela bosta toda de branco, porque dá mais luz"? Era assim que Gildásio se sentia. Desamparado e só. Um Valenciano Miguel em casa numa noite de sexta-feira. Um Bruxo Alexandrino sem a sua trompeta. Um Luisão na selecção brasileira.

Desorientado e inadaptado ao meio que o rodeava, Gildásio cedo se viu relegado para o banco como suplente de Saber, que, como todos sabemos, é o maior desaforo que se pode fazer a um jogador profissional. Assustado perante esta nova realidade tal como o povo português perante um regresso dos Ban, Gil Baiano regressou onde lhe queriam bem. De terras de Vera Cruz não voltou a sair, confortável como o Guilherme Leite num programa de apanhados às 4 da manhã na RTP Memória.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Botende, o Anjo Caído




















Antes de mais, cabe-nos realçar que isto é um repost. Sim, acabamos de inventar uma alternativa pomposa para copy-paste. E hélas, aussi em inglês!
E a razão deste re-post é uma generosa oferenda por parte de uma caridosa alma. Calma, ainda não estamos a falar da carinhosa relação Botende/Barroso, mas antes de uns cromos sui generis ofertados pelo nosso compincha villar. Para ele, um De La Sagra fresquinho.

Adicionámos portanto uma nova imagem do mítico keeper insular a este post já antiguinho. Imagem essa que realça a sua propensão para ser um gajo altruísta que cai do céu para salvar pessoas de boa fé em momentos complicados. Ou isso, ou o clube dele não tinha dinheiro para equipamentos, e os jogadores eram obrigados a trazer fantasias de super-heróis para os jogos.

De qualquer forma, seja ele Superhomem, Homem-Aranha ou Zorro, aqui fica o repost:

"90 minutos.

90 minutos mudam vidas. 90 minutos transformam-nos como pessoas.

Em 1996, nas Antas,viveram-se 90 minutos que iriam mudar as vidas de todos os presentes. Um anjo desceu à terra.

Seu nome era Botende, e surgiu de forma tão inesperada como inevitável. A noite estava fria, desconfortável. Os poucos adeptos sentados nas frias bancadas das Antas estavam cinzentos. A sua equipa jogava mal, estava perra. A velocidade velocipédica de Jardel não resovia. A técnica estrondosa de veludo de Paulinho Santos não abria espaços. A segurança de João Manuel Pinto não era a costumeira. A juventude fresca e irreverente de João "Broas" Pinto estava toldada pelo frio.

Eis que um anjo desceu ao relvado. Muitos viraram a cara, não se apercebendo tratar-se de um milagre, um presente dos céus. Barroso não. O motor a diesel do meio campo tripeiro, sempre arguto e sagaz, tomou atenção. Apertou a mão ao destino e agradeceu o Maná dos Céus. Agradeceu Botende.

José Barroso cerrou os dentes, apertou os punhos e chutou. Para as couves. "Não faz mal, carai", pensou ele. Afinal, até é costume. Nova tentativa. "Desta vez vai em jeito, camandro", disse José. José parte para o esférico, qual Platini de azul-e-branco vestido. Penteou suavemente a bola, como uma criança comendo algodão-doce. "Catano", pensaram as bancadas cinzentas.
A bola vai direitinha ao centro da baliza, precisamente em direcção ao anjo Botende. Botende dá um passo atrás, e convida a bola a anichar-se no fundo das redes, como um bom anfitrião. Golo.

José Barroso, um homem de fé, agradece.

Segunda parte. Barroso está longe da baliza. Porém, toma uma decisão. O pé-canhão voltará à acção. Mas José não aponta à gaveta. José aponta ao centro da baliza, em direcção a Botende, que descera dos céus para alegrar a multidão.Golo. A bola passa por baixo das mãos douradas de Botende.

Dois carimbos na Carta Magna da Carreira do Anjo Zairense. Botende já alegrara a malta. Agora queria diverti-la. Sempre um bonacheirão, este Botende. Passa o resto do desafio a defender bolas vindas dos apanha-bolas, porque estes (porque não???) também deveriam ter oportunidade de brilhar.

Botende teve 90 minutos para brilhar na sua carreira em Portugal. Sorveu o suco da vida nesses 90 pedacinhos de céu. Beberricou o néctar dos Anjos. Trouxe alegria e felicidade ao povo que o contemplava atónito. Menos aos que vinham da Madeira, claro.

Mas mesmo esses levaram para casa algo que recordar.

Obrigado, Anjo Caído. A tua memória vive dentro de cada um de nós."


link do 2º golo disponível aqui
(atenção - qualidade tão duvidosa como a de Marcos Alemão)

terça-feira, outubro 09, 2007

Sousa Cintra, o Chefão.

Depois de visionar atentamente esta pérola perdida no youtube, uma questão assalta-me violentamente, qual rombo causado por um livre de Formoso na rede adversária:
-Mas o que é que aqueles charutos têm?...

O Ser Humano não se ri assim. Bicho Homem, revolta-te.

"É penálte!penálte!Limpissimooooooooooo!"

De qualquer forma, ver Sousa Cintra motivar o seu plantel, qual tele-evangelista de trazer por casa, é um pequeno tesouro. Bem como a sua relação de Pai/Filho com o jogador Careca. Será por causa do nome?

Um Bem Haja a todos, e lembrem-se: Usar dois telefones em simultâneo dá saúde e faz crescer(não falamos do cabelo, claro).

sábado, outubro 06, 2007

Brilha de novo, Barça do Tâmega!



















Saudoso Barça do Tâmega, recente vítima de um azul saco, náufrago sem tempo afundando-se num crepúsculo de bravos oceanos. Momentos de quasi-glória de negro vestido, sinal de luto pela queda de mais uma manilha do esférico jogo, disfarçado de mero peão num jogo de interesses.
Também tu, qual Marco, tiveste o teu Avelino, e não foi endereçado pelo correio. Extinção sem aviso de recepção e com remetente desconhecido.

Sofreste tu, mágico pupilo do colosso catalão, mas sofremos também nós. Sem a tua graça e suplesse sobre o tapete, os aplausos perdem-se por entre densas névoas de efervescentes recordações tornadas penosas diante a inexorável marcha do tempo. E assim nos encontramos, orfãos de vultos sebastiânicos convertidos em ícones fossilizados na memória colectiva de um povo enlutado, abandonado pela esperança e visitado pelo desespero.

Quais ícones, perguntais vós?
Começemos pelo Sagrado. Pedra basilar da sociedade moderna, basilar pedra do FC Felgueiras no auge das suas desventuras primodivisionárias. Santíssima Trindade Tobaguenha, tornada sacrossanta por três aristocráticos nomes com laivos de arrogância britânica, filhos bastardos da monárquica diáspora inglesa. Clint Sherwin Marcelle, Leonson Edward Jeffrey Lewis e Earl Jude Jean, sendo que o último só se juntou aos dois primeiros no decorrer das calendas de 1995 e 1996.

[EDIT] Doravante, EJJ será deliciosamente omitido do resto do post, dado tratarmos apenas e só da época anterior. [PRESS DELETE]

A Santíssima Trindade de Dois (meu dito, meu feito) foi o emblema do clube tornado mártir na supracitada belle epoque de '94-'95. Clint estava para Lewis como Trindade para Tobago. Como José para Cid ou D. Duarte Pio para Bragança.
A equação era perfeita. Tal qual inadvertida emulação de anúncio de jornal, avançado grande procura avançado pequenino. Pretende-se cara-metade que nos complete, fortaleça e nos faça sentir indivisíveis.

Do alto dos seus 1,85m, Leonson Lewis era a coisa mais próxima do altar numa equipa orientada por Jesus. Soca Warrior da mais fina estirpe, LL desentupiu a sanita do nulo por quinze vezes durante a epopeia de 94-95. Quinze demonstrações da sua possante habilidade para manusear o desentupidor de resultados, quinze descargas no autoclismo das emoções viradas do avesso.

Clint Sherwin Marcelle, o seu fiel sidekick, não alinhava pelo mesmo diapasão. Aliás, nem gostava de votar os seus tímpanos à audição das alegres cançonetas de Marante. Talvez por isso fosse tão útil diante de um guardião adversário como um pente numa concentração de skinheads. O brilhante total de zero golos na defunta Primeira Divisão é um bom apontamento de humor, mas não faz juz à sua melosa história de amor com o couro. O diminuto avançado Tobaguenho poderia não chegar à prateleira de cima, mas 1,67m carregados de amor e violento afecto pela mais bela arte do joker ofensivo não poderão nunca ser dispensados.

Kristic, o Sérvio, fazia do Mundo o seu quintal. Este verdadeiro Globetrotter da bola, era semelhante aos americanos da bola laranja em quase tudo, tirando a parte do espectáculo, das vitórias, do reconhecimento, da aura mágica e da fantástica habilidade técnica. Mas era viajado.

Viagem era o nome do meio de Sérgio. Só que o seu quintal eram as divisões secundárias. Lixa, Guarda, Lisboa, Marco, Torres Vedras, Paredes e Valpaços foram paragens obrigatórias no comboio do amor. Podemos não nos lembrar dele dentro de campo, mas este brasileiro do Recife semeou o seu charme pelos frondosos campos e aldeias do nosso Portugal, seduzindo as moças lusitanas como se não houvesse amanhã. O seu segredo? Mestre da arte do look Ramón, alicerçado num bigode pensado, olhar inquisitivo, tez morena e um bravio penteado que gritava aos sete ventos "soltem-me!", como um negro corcel aprisionado num fedorento estábulo.

Fedorento é também um bom adjectivo para descrever o equipamento de Lopes. Juntamente com piroso, foleiro, torpe, desagradável, disforme, mal-parecido, desproporcionado ou desagradável.

Lopes da Silva, abraçando
agora uma nova fase da sua ilustre carreira, mostra-se ao Mundo como o Mourinho de Bragança, arrastando multidões para o palco dos sonhos brigantino, actor principal de uma peça onde é figurante e contra-regra, argumento e argumentista, produção e produtor. Em Felgueiras demonstrava já apetência pela liderança, sendo o imperial impermeabilizador de uma aquática linha defensiva e o orgulhoso portador de um autoritário bigode, manifestação capilar de um inequívoco cabecilha.

O Crisanto e o Franc só são para aqui chamados por causa do nome, claro. Parecem bailarinas do Big Show SIC. Francamente. Crisanto e Franc? Francamente.

sábado, setembro 22, 2007

The Buraca Three















Wagnão
, Daniel e Moses.

Se só o mencionar destes nomes em cadência faz tremer muito cidadão cumpridor da lei, ordem e bons costumes, imaginemos o estado de espírito dos adversários do Estrela amadorense quando têm o desprazer de olhar para as suas fronhas...

O pior desta situação? Este trio da Buraca não defrauda expectativas. Está no relvado para fazer precisamente aquilo que poderiamos pensar à primeira vista. Intimidação. Terror. Medo. Uma força bárbara que não se refreia. Um trio ensemble sedento de uma nota sangrenta que não os saciará. Semear o pânico? Certamente.
Aqueles que gostariam de se refugiar na sua cobarde realidade alternativa podem tirar o cavalinho da chuva:

-"Ah, aquele gentil senhor com 1,90m de altura, 2,30m de largura e cara de personagem secundária num filme do Chuck Norris até pode ser boa pessoa. Não sejamos preconceituosos. Concerteza que até tocará sonatas de Schubert num delicado fliscorne.", segredou o inocente gladiador Tonel a Polga as suas impressões sobre Moses dois minutos antes deste lhe deslocar a clavícula à dentada.

Porém, nem tudo é chapa quatro com estes senhores. Também nos é presenteada, embrulhada com um papel festivo e atada com um laçarote extremamente fofuxo, a doce ironia que por demasiadas vezes transforma o Mundo da Bola numa caixinha de surpresas: O brasileiro Duda precisou de sair do Porto para o Boavista para ser campeão.
Ah não, isto não tem nada a ver...afinal aqui não há ironia nenhuma. É que estes três estarolas da Buraca têm mesmo ar de seguranças de discoteca, apesar de serem eles quem arma a bela bronca na dita cuja.

Ei! Alguém falou em "bronca na discoteca"? É que seria capaz de jurar que já vi o prodigioso guri Leandro Lima a cantar alegremente essa cançoneta em qualquer lado.

Ah não, é aquele gajo que tem um penteado igual ao dele, mas que canta o clássico intemporal "Puta Vida, Merda Cagalhões". Que curiosamente foi o que Wagnão disse ao último pobre tolo que tentou passar por ele em velocidade...antes de lhe arrancar o nariz à cabeçada, claro.

Sábias palavras.

segunda-feira, setembro 17, 2007

DESCUBRA AS DIFERENÇAS Nº MXXLVIII



O Cromos da Bola descobriu a verdadeira razão para a saída de Ricardo Chaves, do Sporting de Braga para o Vit. Setúbal.
Havia uma certa incompatibilidade entre o Ricardo e Jorge Costa.
Tal como a PJ no caso Maddie, tivémos acesso secreto ao diário de Ricardo Chaves e, por isso, transcrevemos aqui em directo e exclusivo, o que foi escrito pelo jogador durante o defeso do campeonato. Caetano Veloso vai certamente pedir explicações pelo que vamos transcrever, quiçá mover um belo processo judicial, mas estamos certos e seguros que Caetano ( Não o do Tirsense de 1m20) e Ricardo (Não o Pseudo-Redes da Selecção) têm tudo para se darem bem.. afinal, eles parecem irmãos.

Aconselhamos os nossos telespectadores a ler a transcrição que se segue com um "pi pi pi" "tchu tchu tchu" tipicamente brasileiro e um pianinho bem allegro.
O título desta página do diário é SOZINHO:

Às vezes no silêncio do meio campo
Eu fico correndo só com mais dois
Eu fico ali sonhando com um grande
Juntando um bom remate a um golo ou dois
[Jorge Costa] Por que você não me deixa mais solto?
Por que você não confia em mim?
Tô me sentindo muito sozinho
Não sou nem quero ser como o Castanheira

É que um lugar no onze às vezes cai bem
Eu tenho os meus segredos e jogadas secretas
Passo ao João Pinto e a mais ninguém
Porque você me esquece e some?
E se eu me interessar pelo Setúbal?
E se o Carvalhal de repente me compra?
Quando um treinador gosta
É claro que a gente cuida

Mas eu não fico na mama
Vou pôr-me daqui pra fora
Esta equipa engana
Ou não está madura
[Jorge Costa] Onde está você agora?

quinta-feira, setembro 13, 2007

Cromo D'Área

Povo amigo.

Regressados de um hiato de veraneio, eis que publicamos finalmente a Poll para o nosso Cromo D'Área. Agradecemos a todos pelo afinco no debitar das maiores pérolas pontalancistas que já passaram pelas lusas terras.

Decidimo-nos pelos seguintes dez cromos:

Vinha, Baroni, Missé-Missé, Eskilsson, Pringle, Birame, Quinzinho, Bambo, Toni (o Campeão do Mundo, não o massivo panzer cabo-verdiano-bracarense) e Dino.

Doeu-nos. Doeu-nos muito fundo, quais vítimas de um "jab" de esquerda de Felipão, o Balboa do Caravaggio, mas muitos e bons nomes ficaram de fora, como Manú numa convocatória do Benfica. Antes que a vossa insana - porém justificada - raiva recaia sobre nós, avisamos desde já que entertainers como Serifo, Lewis, Constantino, Mantorras, Mangonga, Clint&Earl LDA, Lepi, Siasia, e até Krpan ficarão para contas da próxima Poll, destinada a eleger o 2º avançado do nossa 4-4-2. Vulgo muleta do ponta-de-lança, claro está.


Bem Hajam, e votem com consciência. E sobretudo, com potência e acutilância.


The Eye of The Tiger.
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